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< VOLTAR 28/01/2016

Pacote de crédito com juro menor pode chegar a R$ 70 bilhões

O pacote do governo Dilma será anunciado hoje.

Entre as novas medidas para aumentar o volume de crédito, está o uso de parte da multa rescisória do FGTS, paga na demissão sem justa causa, como garantia para crédito consignado de trabalhadores do setor privado. A expectativa é que esse mecanismo possa aumentar entre R$ 6 e 8 bilhões o volume de crédito. 


O pacote, a ser anunciado na reunião do Conselhão, o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, tem o objetivo de tentar estabilizar a economia, num primeiro momento, para depois fazê-la voltar a crescer ainda no fim deste ano. O governo está preocupado principalmente com as previsões de que a taxa de desemprego possa superar os dois dígitos em 2016 diante de uma recessão que pode superar 3% neste ano. 


Todas as linhas de crédito que o governo irá anunciar têm taxas de juros menores do que as de mercado. O governo vai usar os bancos públicos - Banco do Brasil, Caixa e BNDES, além do FGTS - para garantir essa liberação de crédito, aproveitando que eles tiveram seus caixas reforçados pelo pagamento do passivo das pedaladas fiscais no final de 2015. Entre as medidas, o governo vai divulgar que o Banco do Brasil irá liberar cerca de R$ 10 bilhões em crédito para o setor agrícola. Outros R$ 10 bilhões, com recursos do FGTS, serão liberados para a construção civil, principalmente para empresas que tocam obras do Minha Casa, Minha Vida. O BNDES vai destinar ainda recursos para exportadores, micro e pequenas empresas e para fabricantes de máquinas e equipamentos. 


A política de crédito às micro e pequenas empresas vai contemplar duas frentes - ampliação do crédito a juros baixos e desburocratização. Empresas com faturamento anual de até R$ 3,6 milhões terão acesso a linhas de financiamento com juros de 15% a 18% ao ano, com a garantia do Sebrae e do BNDES, anunciou nesta quarta-feira (27) o presidente do Sebrae, Guilherme Afif Domingos. "Pagando juros de agiota, ninguém consegue sobreviver. Temos necessidade de dar oxigênio mais puro, uma linha de crédito mais compatível com as micro e pequenas", disse Afif. 


A expectativa é que a oferta comece já em fevereiro. Ainda não é certo também o volume de recursos que será dedicado às micro e pequenas. Segundo Afif, que esteve reunido na tarde desta quarta-feira (27) com o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, está certo que o limite de empréstimo será de R$ 30 mil - para "obrigar a pulverização do crédito". 


Questionado sobre a reunião do Conselhão, o ministro da Casa Civil, Jaques,Wagner, disse que o "caminho" que o governo busca é o da "convergência", entre os diversos setores da sociedade. Ele se mostrou favorável a uma CPMF temporária e demonstrou otimismo sobre o debate. "Todo mundo entende que há uma emergência de aumento de receita. Se a convergência for de uma temporalidade pra CPMF, eu acho que é bem-vinda." Segundo ele, haverá mais três reuniões do conselhão neste ano - a próxima em abril.

 

Adaptado de Folha.